(...)E penso, por exemplo, na música
– sempre ela! - composta, na base, por apenas sete notas.
Sons completamente distintos que, tocados um após o outro, se percebem únicos.
Todavia, quando as unimos em uma só peça, as notas deixam de ser apenas notas. Tornam-se acordes.
Se tocadas numa sequência lógica, formam escalas.
Maiores, menores, cromáticas, pentatônicas, exóticas, diminutas, blues... São tantas!

Assim, pois, vejo as pessoas.
Isoladas, sozinhas, são exclusivas. Emitem o seu próprio som, e nos revelam suas particularidades.
Mas, coloquemo-nas juntas. Formam um caleidoscópio brutal. Nem sempre harmônico. Aliás, quase nunca. Mas sempre sensível e interessante de ouvir.
Se as pessoas funcionam assim? Nem sempre. Às vezes sim, por um tempo, após o que, se desgastam. Assim é com a maioria.
Ressalvemos os casos mais raros, nos quais a união de pessoas soa como as notas musicais: eternas.
Quem não já desejou que assim fosse? Longe das distorções, das dissonâncias. Afinados!
Mas só a música, meu caro, tem que soar dessa forma sempre. As pessoas, não. Acordes perfeitos são raros entre elas. A maioria desafina. Nem que seja de forma discreta e quase imperceptível, ali quase sempre tem uma nota atravessada.
Na vida, porém, há muito, muito mais tempo, alguém decidiu dar a tais “notas”, atravessadas e confusas, um outro nome:
-Humanidade.
A música transporta, arrebata, enebria e clareia os sentidos.
Em alto e bom som, ou simplesmente sussurrada, a música renova...
Aproxima quem está longe
Leva embora o que não queremos por perto
Ela Ajusta,
Encaixa,
Em algumas ocasiões, carece de mais detalhes De maiores explicações
Já em outras ocasiões não precisa de precissão,
Apenas que seja livre
Porque a música liberta...
Ela diz tudo!